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Dicas de Estudos – por Thiago Lacerda (6º lugar da AGU)

Fala, pessoal!

Meu nome é Thiago, tenho 28 anos e fui aprovado no concurso de Advogado da União de 2015. Depois de um ano intenso de provas, tive a felicidade de obter o 6º lugar na classificação final e ser empossado em 23 de janeiro deste ano. Que dia, pessoal! Valeu a pena esperar por ele!

Foi um concurso que me exigiu bastante, consumindo boa parte do meu tempo e energia. As dificuldades eram diversas e diárias. Mas hoje posso dizer (como antes lia em vários depoimentos de aprovados) que o investimento valeu muito!

A pedido da Nat, deixo aqui meu depoimento, com algumas dicas gerais de preparação. Espero que esse relato anime e oriente alguns de vocês que estão nessa caminhada também!

Inicialmente é sempre bom lembrar que não existe fórmula ou segredo para a aprovação. No geral, quanto mais for possível simplificar, melhor. O que nos cabe é, considerando nossa própria realidade de estudo, planejar, estudar, orar, torcer e, então, esperar o que o futuro vai trazer. Não se compare com quem parece saber mais ou menos. Concentre-se no seu processo de estudo, fazendo dele mais efetivo e prazeroso (ou menos dolorido) possível, e espere os resultados de braços abertos.

Minha decisão pela advocacia pública, especialmente pela AGU, aconteceu em 2011, quando estagiei no órgão. Minha intenção era estudar já para o concurso de Advogado da União de 2012… Mas ficou só na intenção mesmo… Não consegui administrar o estudo pro concurso com monografia, OAB e outras responsabilidades que tinha na época. O estudo era pouco e de má qualidade. Cheguei a fazer um cursinho intensivo anual de carreiras jurídicas, mas fazia pouco além de anotar as aulas. Não revisava, não fazia questões. Resultado: fiz a prova e reprovei na 1ª fase, longe do ponto de corte.

Terminei o curso de Direito na metade de 2012. Logo após a formatura, tomei posse como Técnico Judiciário no TRT-ES, um concurso que fiz em 2009 (não tive que esperar somente pela AGU! Foram 3 anos da aprovação até a nomeação no meu primeiro cargo público federal). Trabalhei no TRT até a posse na AGU.

Em 2013, trabalhando 7h diárias, tentava aproveitar o tempo livre para os estudos, mas tinha muitos problemas com distração, procrastinação e indisciplina nos estudos. Passava dias e, às vezes, semanas sem estudar ou estudando de forma pouco produtiva (gastando tempo em assuntos que caem pouco, que sabia mais e/ou deixando de focar em matérias mais relevantes). Resultado? Me inscrevi pra várias provas e reprovei na 1ª fase de TODOS os concursos de carreiras jurídicas que fiz naquele ano (por volta de 6).

Algo estava errado na minha rotina de estudos e tinha consciência disso. Mesmo que vários desses concursos não fossem meu foco, as notas deixavam muito a desejar. Precisava de um mínimo de tempo, de qualidade de estudo e de equilíbrio. As reprovações foram um banho de realidade.

Me casei no início de 2014 e aproveitei para tirar uns meses para rever meus planos. Com a experiência dos anos anteriores e com a ajuda valiosa da minha esposa, 2014 e 2015 foram bem diferentes.

Fiz um planejamento de estudos específico para a AGU e para as minhas necessidades, procurando priorizar o estudo das matérias mais cobradas nas provas CESPE anteriores e das que eu tinha mais dificuldade. Usei como base o Edital Esquematizado do Eduardo Gonçalves e alguns livros da Editora Juspodivm com essa mesma proposta, acrescentando minhas próprias anotações. Aqui começou o salto de qualidade no meu estudo.

Para fazer um caderno de revisão da AGU, fiz um curso online e assistia o máximo de aulas somente das matérias que precisava.

Fazia revisões periódicas do caderno (de 1, 7 ou 30 dias, por exemplo) e incluía no estudo o máximo de exercícios de questões objetivas (provas anteriores e rodadas de exercícios inéditos), lei seca e informativos do Dizer o Direito. Procurei estudar o que PRECISAVA pra aprovação, e não o que gostava.

Persisti pra me adaptar ao estudo na parte da manhã, estudando uma média de 4 horas corridas, o que me permitia render melhor e ter um tempo livre à noite. No sábado, estudava de 7 a 8 horas. Meu objetivo era estudar rigorosamente todos os dias, exceto sábado à noite e domingo (que reservava para o essencial de descanso, lazer, família, igreja), sem qualquer concessão que não fosse estritamente necessária.

Por mais que todo dia fosse um novo desafio, estava bem mais disciplinado e confiante do que antes. Ainda lutava com todos aqueles “vilões” do estudo (preguiça, procrastinação etc), mas isso é o esperado. A perfeição não é necessária nem possível.

Continuei a fazer provas e botei mais duas reprovações em 1ª fase de carreiras jurídicas no currículo. Os bons resultados começaram a vir aos poucos: fui pra 2ª fase de duas PGMs. Mas como estava totalmente focado no planejamento de estudos para a AGU, sem treino pra segunda fase, reprovei nessas duas discursivas.

Na metade de 2015, veio o esperado edital da AGU. Terminado o caderno do curso, com mais tempo livre, tentei cobrir o máximo do conteúdo programático, focando nos assuntos mais cobrados e menos estudados anteriormente, por exercícios de questões objetivas e revisões de caderno e, principalmente, lei seca e jurisprudência (Dizer o Direito).

Minha prova objetiva foi bem corrida – acrescentei ainda mais emoção no final deixando só 10 minutos para preencher o cartão-resposta. Aqui (e nas outras fases também, adianto), o treino foi fundamental. Já que não dá pra pensar muito nas assertivas que temos dúvida, em várias delas é a intuição que acerta – e o treino é o que te dá isso.

Para cada fase, uma estratégia. Depois da prova objetiva, comecei a treinar questões discursivas anteriores do CESPE e fiz dois cursos específicos para a 2ª fase, com correções e dicas personalizadas. Em termos de conteúdo, tive mais tempo pra suprir pontos não estudados na 1ª fase e aprofundar um pouco em assuntos típicos de discursivas.

Fiz as 3 provas discursivas em janeiro de 2016. Saí bem cansado mas aliviado. Mais uma fase se passava e tinha a sensação de ter feito uma boa prova. A aprovação parecia próxima… até eu descobrir que um triste incidente tornava possível a anulação da fase de discursiva para todos os candidatos. E foi o que aconteceu. Cespe e AGU decidiram tornar sem efeito a 2ª fase do concurso. Foi o simulado mais realista que fiz na vida.

Devido ao desgaste desse meio-tempo, em que não sabíamos se a prova seria ou não anulada, fiquei uns 2 meses sem estudar, retornando depois com a mesma estratégia e com treino, treino e mais treino de questões discursivas anteriores, para as novas discursivas no mês de maio.

Saí das novas discursivas não tão satisfeito. Achei que não tinha ido tão bem quanto antes. Mas me surpreendi! Além da aprovação, motivo mais do que suficiente pra comemorar, a correção alavancou minha posição na lista.

Aí eu constatei que devemos duvidar das nossas auto-avaliações, pois elas muitas vezes nos enganam. Quem avalia é o examinador! Então deixe a ansiedade de lado, treine o máximo que puder, coloque seu melhor no papel e deixe que o examinador dê a palavra final!

A prova oral, marcada pra julho de 2016, exigia uma nova estratégia. O conteúdo jurídico passa a ser menos importante do que nas fases anteriores, dando espaço para o controle emocional e a expressão verbal, por exemplo.

Por isso, intencionalmente estudei menos do que nas fases anteriores e treinei, regularmente, por Skype e pessoalmente com professores e colegas do concurso. Aqui é preciso lembrar de tudo o que você passou e confiar que já tem a bagagem necessária de conhecimento jurídico, precisando apenas aparar as arestas e treinar a melhor forma de transmitir o que sabe pra banca.

Aprendi a exercer mais auto-controle e a conviver melhor com emoções negativas – inevitáveis nos tempos de espera e de pressão.

Escolhi um curso presencial de prova oral que me exigia viajar pra MG e, considerando que o calendário do concurso ficou apertado depois da anulação, tive que fazer esse curso no dia imediatamente anterior à divulgação do resultado da discursiva (sim, arrisquei o curso antes mesmo de saber se iria fazer a oral ou não!). Foi mais um teste de pressão e uma prova de que podia ir um pouco mais além no meu esforço.

No dia seguinte ao término do curso, saía o resultado da discursiva. Foi uma sensação sem igual! Imaginem o alívio!

Felizmente, semanas depois, concluí bem minha prova oral em Brasília. Como aconteceu em todas as fases, não fiz uma prova perfeita. Houve dúvidas, tensão, imprevistos… mas através das dificuldades é que havia chegado até ali!

Por fim, registro a seguir alguns dos valores que me nortearam nesse processo de estudo e que penso serem úteis a qualquer pessoa. É importante refletir sobre esses fundamentos porque eles nos sustentam no dia-a-dia e nos dão capacidade pra resolver os problemas práticos mais difíceis.

1) Concurso não é tudo

Sim, é trabalhoso. Sim, pode revolucionar sua carreira profissional. Mas não é tudo na vida – nem perto disso – embora às vezes pareça.

Saber que o estudo para concursos é temporário me lembra que também devo investir, durante o estudo, naquilo que é essencial: espiritualidade e família, por exemplo. Curiosamente, essa consciência costuma melhorar a qualidade do estudo.

2) Motivação

Parece papo de auto-ajuda, mas esse ponto é essencial. É essencial ter motivação firme o suficiente para te fazer seguir apesar das muitas dificuldades. Defina bem por que você quer a aprovação.

E aqui fica um conselho que pouca gente dá: cultive motivações boas, verdadeiras, justas, pois essas são as mais fortes e recompensadoras. Sim, é difícil definir precisamente o que é bom, verdadeiro, justo, mas nós sabemos pelo menos o mínimo. Por exemplo, boa parte da nossa cultura concorda que uma motivação altruísta é melhor, mais sustentável, do que uma motivação egoísta.

Não há mal em estudar pela remuneração, prestígio ou conforto pessoal que um cargo público pode proporcionar, mas estudar somente por essa motivação é bastante limitado. Já quem tem visão para interesses mais amplos, sabe o bem que está fazendo e não vai medir esforços para conquistar a aprovação.

3) Objetividade

O objetivo imediato de quem faz concursos é a aprovação. Então planeje e estude efetivamente para alcançar esse objetivo. Desenvolva um estudo baseado em resultados, e não em impressões ou interesses pessoais.

Para ser aprovado não é preciso inovar nem impressionar ninguém. Examinadores de um concurso no padrão da AGU (com várias fases e muitas disciplinas) não esperam que você seja um especialista. Eles esperam um candidato que seja capaz de dar uma resposta razoável para o que foi perguntado. Em quase todo assunto, basta aprender o básico e aplicá-lo em um caso prático. Se você estudou, acredite: aquela questão impossível para você é impossível para os outros também.

Aqui entra a importância de fazer provas, treinar com provas anteriores, simulados, e corrigir depois, verificando onde estão suas maiores fraquezas para aperfeiçoar.

Ter isso sempre em mente enquanto estuda e faz provas facilita muito o processo e evita desperdício de tempo.

4) Persistência e regularidade

É o esforçado que passa, e não o gênio. Muitas vezes o estudo demora a render pontos. Às vezes, anos de disciplina não garantem que o dia ou semana de estudo seguintes sejam bons. O desafio é diário e exige regularidade.

Façam o melhor de vocês e confiem que os resultados virão! Quando vierem, o esforço será recompensado!

Abraços!

23 comentários em “Dicas de Estudos – por Thiago Lacerda (6º lugar da AGU)

      1. Ítalo, em 2014/2015 fiz um curso para a área federal que não é mais oferecido hoje. Atualmente acho que o Curso Ênfase é uma boa. Especificamente para as discursivas, fiz os cursos CEI e Aprovandi; para a prova oral, Aprovandi.
        Basicamente, fazia minhas revisões de doutrina pelo conteúdo das aulas e resumos que tinha. Eventualmente consultava manuais pra tirar dúvida ou complementar algum ponto. A depender da matéria, usava também um livro curto ou partes de livros – em Processo Civil, por exemplo, estudei e revisei “Poder Público em Juízo”.

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  1. Natália

    Parabéns pelo seu trabalho aqui no blog. Sigo sempre e é mto útil.

    E já que perguntar não custa, será que o Thiago não poderia disponibilizar os cadernos dele?

    Seria muito útil para quem não pode, por motivos diversos, fazer um curso.

    Obrigado!

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    1. Olá, Marcelo! Meus materiais em formato digital não devem estar bons porque imprimia os cadernos pra destacar, corrigir, complementar e atualizar à mão. Mais do que a fonte, o importante é ter um caderno em que você mesmo trabalhou (revisou, grifou, riscou, anotou etc). Mas se te interessar posso compilar esses arquivos e enviar depois. Me passe seu e-mail por mensagem no face (Thiago Lacerda – procure pelo da Natália) ou instagram (@thiagoslacerda).
      Bons estudos!

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    1. Oi Camila, sei q a pergunta não foi pra mim, mas tbm sou técnica do TRT e já pesquisei bastante acerca da prática. Vc pode comprovar apenas com estágio obrigatório da faculdade. Basta sua faculdade lhe dar uma certidão dizendo que você participou dos dois anos de estágio obrigatório. Além disso, se vc exerce atividade ao menos parcialmente jurídica no seu tribunal vc pode utilizar sua avaliação de desempenho assinada por seu gestor descrevendo suas atividades. Sou secretária de audiência, então tbm utilizarei minha nomeação na função para comprovação. Espero ter ajudado. Bons estudos!

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  2. Amei, Nat! Site maravilhoso! Deixei um recadinho (pedido) no seu insta mas como vc não respondeu, reitero agora: você ou algum amigo seu tem alguma opinião sobre o curso preparatório do CERS? Nos próximos depoismentos, você se importa de pedir pros seus amigos mencionarem o nome do curso preparatório online que fizeram (caso tenham feito)? Beijos e obrigada!

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  3. Primeiramente, Nati. O site ficou muito bom, está ajudando muita gente!
    Thiago! Obrigado pela tua disponibilidade e empatia de nos ajudar!
    Acredito que o fato de ser nomeado técnico e ter uma boa remuneração e estabilidade te deu muita segurança para estudar.
    Gostaria, se possível, que falasse como era o teu ciclo de estudos. No meu caso, trabalho no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e é uma carga horária bem pesada, das 9 às 18. Como não tenho tanto tempo pra estudar. Comecei, nesta semana, a seguir uma dica do Gerson Aragão, de pegar uma matéria apenas na semana ( junto com as revisões das outras já estudadas. Uso um aplicativo para regular as revisões, 1-4-13-20 […]).
    Você demorava pra avançar nas matérias?
    Abraço. Marcus.

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    1. Marcus, que bom que o texto ajudou!
      Eu estudava de maneira similar a essa que você fala. Não funcionava pra mim particionar demais o estudo das disciplinas (2 matérias por dia, por exemplo). Podia gastar, por exemplo, 15 dias corridos com Adm e Processo Civil e 2 dias com Direito Econômico. Então fazia um ciclo que podia durar até cerca de 2 meses pra abarcar todas as matérias dos 3 grupos do edital, sempre com revisões periódicas (a cada 7 e 15 dias, por exemplo). E repetia o ciclo. A quantidade de dias por matéria vai depender da importância da disciplina e da sua necessidade de aprendizado.
      Abraço.

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