Depoimento de aprovado – Guilherme Fagundes

Olá guerreiros(as), sou Guilherme Assunção Fagundes, 28 anos, Advogado da União aprovado aos 26 anos.
A convite de minha colega e grande amiga Natalia, venho dar meu depoimento a todos seus seguidores.
Minha breve caminhada: Comecei a estudar para concursos logo após me formar em Direito e Contabilidade, aos 22 anos, época em que virei pai. Minha meta sempre foi Procuradoria, mas sabia que pela urgência da necessidade de trabalhar, não poderia me dar o luxo de ficar apenas estudando para esse concurso que demanda anos de preparação. Dessa forma, fiz a famosa escadinha: com 23 anos fui aprovado em alguns concursos de ensino médio, assumi na ANTT; aos 24 em alguns de nível superior, assumi Agente de Polícia da PCDF; e finalmente, aos 26 como membro (AGU, minha meta).
Não é fácil, demanda constante dedicação, resiliência e abdicação. Mas o caminho fica bem fácil quando sabemos pra onde ir. É aquela história, o mais difícil é escolher o que você quer. Após isso, é apenas fazer o necessário para se chegar lá.
Não sei o que te leva a estudar para concurso. Seja necessidade, seja vaidade, seja pressão social, seja hobby, enfim, seja lá o que for, para atingir sua meta a receita é muito simples: VONTADE.
Minha vontade sempre foi maior que minhas desculpas. Isso pode parecer clichê, mas é o que nos leva a abrir mão de finais de semana, feriados, família, viagens, dentre outros prazeres da vida para se chegar até onde quer. Foi o que me deu forças para trabalhar 8 horas/dia, ser pai e continuar estudando firme até meu objetivo. Não se trata de estudar para passar, trata-se de estudar até passar.
Então meu amigo(a), se você realmente quer, não se preocupe que você vai conseguir. Só há um caminho: estudo. Não se sabote. Se for pra passar horas em uma biblioteca, que seja estudando e não divagando. Coloque prazer no que você faz, ficará mais fácil.
Por fim, deixo uma máxima que sempre me acompanhou: Todos querem estar no topo da montanha, mas poucos estão dispostos a trilhar a árdua caminhada até lá. Pergunto-te: e você, quer mesmo?
Abraços a todos. Bons estudos!

Depoimento – Luíza Zacouteguy Bueno

Oi, gente! Sei que ando BEM sumida, mas prometo melhorar isso. Postarei mais coisas por esses dias para ajudá-los na motivação e na trajetória dos concursos. Hoje trouxe o depoimento da minha amiga Luíza Bueno (colega de profissão e de concurso), que está cheio de amor e determinação. Espero que gostem. 🙂

Olá, pessoal! A pedido da minha querida colega (e amiga!) Natália, vou dividir com vocês minha trajetória pelo mundo das aprovações (reprovações também – e foram várias!) em concursos, etapa tão enriquecedora da minha vida.

Após a aprovação, sinto a necessidade de relatar minha trajetória, principalmente para ajudar aqueles que trabalham o dia inteiro e querem conciliar com os estudos para concurso. Para essas pessoas, eu digo: não desistam! Por diversas vezes, pensei em desistir em razão do cansaço. E meu caminho até a aprovação teria sido mais “leve” se essa hipótese não tivesse passado pela minha cabeça. Portanto, é essencial acreditar em si e jamais pensar em desistir!

Após longos dias de trabalho, reunir forças para cumprir a meta do dia era tarefa difícil. Mas uma coisa é certa: o gostinho da vitória, após tantas dificuldades, é recompensador!

Comecei minha caminhada em 2011, ano da minha formatura em Direito, com 21 anos. Logo que saí da faculdade, comecei a estudar para concurso (o ideal é que tivesse começado durante a faculdade, pois sinto que “perdi tempo”). Passei 1 ano exclusivamente estudando (fazia cursos EAD e muitas questões objetivas), em casa, e conquistei minha aprovação como Analista do TJRS, em 2º lugar, após muita dedicação e persistência. Nessa época, meu horário de estudos era “maluco” (estudava o dia inteiro, sem descanso praticamente – manhã, tarde e noite). Hoje não recomendo que ninguém faça isso, pois precisamos de descanso, um pouco de lazer, boa alimentação e exercício físico (olhando pra trás, vejo que meu caminho de concurseira teria sido mais tranquilo se eu tivesse praticado exercícios físicos e descansado!). E, em razão dessa rotina louca, a primeira coisa que acontecia comigo após a prova era ficar doente. Portanto, mantenha a sua saúde em dia. Vejo os estudos como uma batalha, por isso é importante estarmos fortes física e emocionalmente.

Enfim, no dia 10/07/2013, tomei posse como Analista Judiciária no TJRS. Passados alguns meses da posse, senti a necessidade de progredir profissionalmente, apesar de ser muito grata a tudo de bom que esse concurso me trouxe: colegas maravilhosos, muito aprendizado e um marido que me incentiva muito – passamos no mesmo concurso e nos conhecemos em razão dele. Aqui entra uma dica valiosa: gratidão por tudo que já conquistamos e enfrentamos.

Nesse meio tempo, não sabia exatamente qual carreira eu gostaria de seguir, então, prestei concurso novamente para Analista, desta vez do TRF4. Fui aprovada, mas não com classificação favorável para nomeação (fiquei triste e desmotivada? Sim!! Mas escolhi não desistir e, após essa desilusão, decidi continuar minha caminhada). Percebi, então, que chegava o momento em que deveria tomar uma decisão: começar a estudar para concursos “maiores”. E foi então que decidi me dedicar ao estudo para Advocacia Pública. Iniciei pela PGE/RS. Fui aprovada na 1ª fase, em janeiro de 2015. Infelizmente, me preparei de forma errada (não criei uma estratégia de aprovação e estudei de forma desorganizada), e reprovei na 2ª etapa (março de 2015). A reprovação serviu de incentivo (transforme o limão numa limonada!) para que começasse a estudar logo para o concurso de Advogado da União, cujo edital seria publicado em breve. Naquela época, pensava que a reprovação era o mais provável a acontecer (apesar de querer muito a aprovação!), pois tinha pouco tempo diário disponível para os estudos (nunca consegui ler uma doutrina do início ao fim!). Sempre duvidei da minha capacidade (não duvide da sua! Confiança torna o caminho mais leve). Provei a mim mesma que eu estava errada. Ainda bem!

Para estudar para a primeira etapa, tirei férias do trabalho (como fiz em todas as etapas que estavam por vir. Para quem trabalha, as férias são um bom momento para colocar os estudos em dia). Nesse período, me dediquei ao estudo de informativos (Dizer o Direito!), à resolução de questões e ao estudo das matérias mais afetas à Fazenda Pública. Em novembro de 2015, meu nome estava na convocação para a 2ª etapa: eu teria uma nova chance de aprovação após a derrota na PGE/RS. Fiquei emocionada e, ao mesmo tempo, “perdida”. Montei um “plano de guerra” que incluía doutrina, jurisprudência e questões discursivas. Foquei nas matérias principais e nas que sabia menos. A palavra-chave é ORGANIZAÇÃO.

Novamente, tirei férias para estudar, pois a 2ª etapa aconteceria no início de janeiro. Ocorre que a 2ª etapa foi anulada e tivemos que realizar novamente aquela prova extenuante de 15 horas (imprevistos acontecem nos concursos! Temos que estar preparados!). Prestei a nova 2ª fase em 30/04 e 01/05. Naquele momento, eu não estava muito confiante. Tive pouco tempo de férias para me dedicar exclusivamente ao concurso. Até o dia 06/06 (dia do resultado da 2ª fase), eu tinha muitas dúvidas se tinha passado e isso atrapalhou meus estudos (outra dica: entre uma fase e outra, mentalize sempre que você passou para a próxima). Com 1 mês até a prova oral, tive que conciliar trabalho e estudo para a última e aterrorizante etapa! Era minha primeira prova oral e tinha muito medo de, após tanto esforço e privação, não conseguir minha tão esperada aprovação. O que fiz nessa última etapa: li meus resumos (elaborados durante a preparação para a 2ª fase com doutrina e jurisprudência), informativos 2014, 2015 e 2016, muito treino de questões orais (em casa e por Skype com uma amiga) e tudo o mais que eu consegui encaixar. Paralelamente ao meu estudo individual, fiz curso de oratória (muito bom pra pessoas tímidas como eu). Confesso que, nos momentos anteriores à prova, eu estava nervosa, mas minha vontade de colocar em prática tudo o que eu tinha aprendido no mês anterior foi maior que o meu medo. E a verdade é que sempre imaginamos algo muito pior. Durante toda a minha vida de estudante, eu sempre dizia que jamais faria um concurso que tivesse prova oral, tamanha era a minha timidez. Escolhi enfrentar o medo e foi a melhor decisão!

No dia 18/07/2016, o resultado da prova oral da AGU foi publicado e eu estava aprovada. Após tantas dificuldades, meu sonho profissional se realizou. A trajetória não foi fácil, mas recompensadora.

A dica final é clichê, mas válida: acredite em você! Se cair, levante! Faça das dificuldades e das reprovações o combustível para a aprovação. Se você tem apenas 15 minutos após o almoço para estudar, faça esses minutos valerem a pena. Se você tem 8 horas diárias para estudar, faça essas horas valerem a pena. Por mais difícil que seja a sua vida de concurseiro e por menos tempo que você tenha, se você está estudando com dedicação, a aprovação vai chegar! Até lá, não se compare com os concorrentes e tente tornar o caminho mais leve e emocionalmente enriquecedor.

Um beijo!

Luíza

A dificuldade de manter uma rotina de estudos.

Boa tarde, amigos! 😉 O tema de hoje é: A DIFICULDADE DE MANTER UMA ROTINA DE ESTUDOS.

Acho que posso dar pitaco no assunto porque pense numa pessoa que tem muita dificuldade em estabelecer uma rotina na vida: essa sou eu. Já to com 25 anos e até hoje não tenho uma rotina ajustada. Sempre estou fazendo mil coisas simultaneamente. Tento ajustar isso, mas tenho muita muita dificuldade. Na época dos estudos, percebi que a falta de rotina nos estudos estavam me gerando ansiedade e nervosismo. Eu queria saber exatamente o dia em que ia terminar o edital, o dia que ia resolver as questões X do assunto X. Enfim, queria virar uma máquina de estudos, rs. Mas, sem uma rotina percebi que não fazia era nada. O estudo não saía do papel e toda santa semana inventava um método novo de estudos. Isso me prejudicou muito no início dos estudos, porque com o passar do tempo percebi que não tem nada mais importante para a aprovação do que a CONSTÂNCIA. E é impossível ter constância sem uma rotina ainda que mínima. Percebi também que não é muito bacana taxar metas rígidas, porque a evolução dos estudos é algo a ser visualizado diariamente. O ideal é você estabelecer previsões e avançar nas metas conforme for assimilando, mas sempre se atentando à sua velocidade!

Por isso, é sempre bom lembrar que o seu estudo deve englobar SIM: rotina + constância. E o que seria essa rotina? Para mim rotina é você ter uma hora do seu dia reservada para os estudos. E, não importe o que aconteça, você irá cumpri-la. Se você só tem duas horas livres, estude essas duas horas livres. Mas não deixe o seu estudo “solto”, faça uma previsão (flexível) do que pretende evoluir naquela semana/quinzena/mês. Na minha época de estudos + trabalho, fixei a meta de 4 horas diárias (basicamente noturnas) e sempre sempre sempre tentava cumprir. Cansei de dormir em cima dos livros, rs. Mas é a rotina que vai te trazer a evolução, o hábito e a paixão por vencer. Encontre um tempo na sua agenda diária em busca do seu sonho e vá. Faça. O segredo de tudo é isso: sentar e fazer. No caso, sentar e estudar.

Beijos!!!

Quanto tempo de estudos até a aprovação?

Buenassss tardeees, povo honesto e #estudioso! Tema de hoje é por deveras importante. Conversando há poucos dias com meu pai, ressaltamos a pressão que a mídia (me incluo nisso em certa parte) faz para o candidato ser aprovado logo. Quem é referencia no mundo dos concursos? Fulano que foi 1º lugar, Ciclano que passou em 10 certames, Beltrana que foi aprovada muito nova, e por aí vai. Essas referências podem nos trazer uma motivação excelente ou nos trazer um lado muito negativo da situação. Não podemos e não devemos nos comparar a ninguém. Cada pessoa tem a sua história 😉. Cada pessoa tem uma base jurídica distinta, uma velocidade diferente de aprendizado. Devemos NOS respeitar e seguir o nosso feeling nos estudos. Vou me utilizar como exemplo. O fato de eu ter sido aprovada de forma rápida não significa absolutamente nada. Dei sorte de passar em um concurso que nomeiam todos os aprovados, dei sorte de cair o que sabia na prova, mas me esforcei muito também. O que concluímos disso tudo é que não existe algo do tipo: em dois anos serei aprovado. É IMPOSSÍVEL fixar um prazo, mas isso não significa que vc não possa o fazer em outros tópicos. Porque não fixar um prazo para terminar determinadas matérias? Prazo para fechar um edital.. prazo para ficar em dia com a Juris. Essas metas são muito mais saudáveis do que prazo para ser aprovada. Quando estudava, eu ADORAVAAA fazer desafios para mim. Desafios do gênero: dois livros em três semanas, todos os infos do stf desse ano nessa semana, e por aí vai… Sempre utilizava essa válvula de escape da rotina para me motivar. Estudo é criatividade! Vc só pode se cobrar de algo que depende exclusivamente de você. A aprovação é um fato que envolve n fatores externos. Masss… eu acho que vc deve SIM se preocupar com o tempo. Não dá para deixar “perder de vista” sua evolução. Se a sua dedicação é diária, o seu desempenho tb irá melhorar diariamente. É uma reta em ascendência. Então, fique de olho se o seu método de estudos está te fazendo progredir. E, no fim, se preocupe em fazer apenas uma coisa: dar o seu melhor. Essa é a sua obrigação. Beijo grande e bom fds pra vocês! 😍😘😘

Minhas reprovações. O que aprendi. ♥️🌟

Hello, gente! 😉 Hoje me dei conta de que sempre falamos muito do sucesso, mas não falamos muito dos espinhos que aparecem durante a trajetória. Por isso, vou fazer esse post inteiro dedicado às minhas reprovações e o que elas me trouxeram de aprendizado. Comecei a estudar no final de 2014/início de 2015, e com poucos meses de estudos (uns 02 meses, no máximo) fui prestar a minha primeira prova de Procuradoria (PGE RS). Durante a realização da prova, senti – pela primeira vez – a ficha cair. Senti que não era tão “simples” quanto esperava e que eu precisava estudar muito – muuuuuito mesmo – se quisesse ser aprovada. Juro para vocês, até interpretar a prova foi difícil. Entender o que estava sendo perguntado? Só em outra prova, hehehe. Aqui temos a primeira das reprovações, na qual aprendi que precisamos ter muita humildade ao realizar um certame. Como diria meu pai: “o buraco é muito mais embaixo do que vc imagina”. A experiência foi muito válida, não fiquei triste pela reprovação – até porque seria loucura passar tão rápido assim 😂. E, acreditem, nunca fui aluna número 01 de turma alguma. Nem a número 02, hehehe. Logo após esse AVALANCHE PGE RS (só assim p descrever o meu desempenho – fiquei aquém dos 50%), continuei os estudos com muita consciência de que eu precisava estudar muuuuito, muuuuito, muito mesmo. Se eu quisesse “concorrer”, eu precisaria subir meu nível (e pra ontem, porque sempre tive pressa na vida). Poucos meses depois (uns 02), fui prestar minha segunda prova: PGE PR. Ao pegar a prova só pensei uma coisa: ufa! pelo menos estou entendendo o que a prova pede. Meu desempenho tinha melhorado bastante (acima de 65%). Fiquei muito satisfeita. As coisas estavam melhorando e o sonho tinha chance de se tornar real 😍. Até que (…). Terceira prova: advogado para a minha antiga faculdade Uniceub. Na minha cabeça o máximo que podia ocorrer era eu reprovar na objetiva, porque a segunda fase eram peças penais (e eu sempre me considerei ninja nesse assunto!) O que aconteceu? Primeiro lugar na objetiva e… bomba na subjetiva. O inimaginável aconteceu. E aqui eu fiquei triste, muuuuito triste. Acho que fiquei um mês para voltar ao ritmo. A pancada foi doída, mas, de longe, a que mais me ensinou. Jogo ganho só se apita QUANDO ACABA O JOGO! Você pode fazer sua parte, mas quem DECIDE é DEUS! 😉 Ritmo de estudos voltando aos poucos… Edital da PGM Curitiba na área e, logo em seguida, edital da AGU e da PFN. Eu já tinha me inscrito na PGM, comprado passagem, reservado hotel e quaseeee não viajo para fazer a prova com medo de abalar meus estudos para a AGU. Fui. E reprovei, hehehe. Mas isso não me abalou nem um pouco. Nada, juro. Aqui já tinha consciência de que cada dia é um dia e que cada prova é uma prova. PFN: reprovação por 04 pontos. Aqui fiquei MUITOOOOO feliz. Pela primeira vez na vida cheguei muito perto da nota de corte. Pequenas conquistas devem ser comemoradas com a mesma intensidade das grandes ♥️. E, semanas após chega a prova da AGU. Eu tinha focado muito muito muito nesse concurso e queria mais que tudo passar! Fiz a prova. Saí de lá sem saber se tinha ido ou bem. Só pensei em uma coisa: “não sou obrigada a passar, mas sou obrigada a dar o meu melhor. isso é apenas uma prova e eu vou encarar!”. Quando saiu o gabarito preliminar eu tinha ficado bem abaixo da nota de corte que estavam estipulando, mas algo dentro de mim dizia: “deu certo”. Muuuita gente me dizia pra esquecer a prova, que eu não tinha passado… blablabla. Eis que quando sai o gabarito oficial e a lista de aprovados meu nome estava lá. Sem duvidas foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Você ver que todo o seu esforço valeu a pena não tem explicação. Não é o cargo, sabe? É a sensação de saber que se você sonha com algo, você pode conquista-lo. É sentir que Deus está com você em todos os momentos e que ele sabe a hora certa e exata de tudo acontecer.

Um beijo grandeeeeee! ♥️
Espero que gostem do texto, fiz com muito carinho.

A rotina: os 1000 litros de café, as 365 maçãs e os 91 dias de estudo. O efeito silencioso e cumulativo dos hábitos na sua vida – por Érico Teixeira

Amigos, quando ainda era concurseira me deparei com esse texto no site do Professor e Juiz Federal Erico Teixeira. Para mim, foi uma profunda reflexão, visto que diariamente “reclamava” da minha exaustiva vida rotineira de estudos, casa e trabalho. Com um pouco de reflexão, devemos perceber que a rotina, antes de mais nada, é um aprendizado diário de perseverança. E foi isso que aprendi lendo esse texto: pequena atitudes isoladas não fazem diferença, mas se vistas em conjunto são poderosas. Aproveito a oportunidade para divulgar o site do Professor Erico: http://www.ericoteixeira.com.br. Aos estudos, pessoal! Segue o texto:

A palavra rotina assumiu ao longo do tempo (injustamente) uma conotação pejorativa. Por isso, tornou-se comum ouvirmos, dentre outras similares, frases como: “não aguento mais a minha rotina…”, “o relacionamento acabou por causa da rotina…”.

Mas será mesmo que a rotina é algo tão ruim, a ponto de destruir relacionamentos e vidas?

A resposta correta para essa pergunta, como para muitas outras, é: depende!

Ouvi certa vez um sábio conselho que permito-me dividir com vocês: “os bons hábitos se tornam virtudes. Os maus hábitos se tornam vícios”. E a qualificação da rotina como algo bom ou ruim passa por aí. A sua rotina inclui bons hábitos? A sua rotina inclui atividades que te aproximam dos seus objetivos. Se a resposta for positiva, então a sua rotina, ainda que eventualmente cansativa ou monótona, é maravilhosa, pois representa o meio pelo qual você se dedica diariamente à realização dos seus sonhos. Agora, se a resposta for negativa… Bem, aí é melhor fechar para balanço e rever para onde as suas atitudes diárias (não) estão te levando.

Aqui, reside um ponto fundamental na condução de qualquer projeto, inclusive um projeto de estudos para concursos públicos. Não se passa em concursos públicos sem que haja dedicação pelo tempo necessário à aprovação. Repito: essa dedicação se dá ao longo de um período de tempo imprescindível para a maturação e consolidação do resultado que se quer alcançar.

A ideia central que quero demonstrar neste texto é que, ao longo do tempo necessário para a aprovação, a adoção de uma rotina de estudos é fundamental, pois cada vez mais vai te aproximar do seu objetivo. Isso ocorre porque o somatório de pequenos gestos e ações que integram a rotina leva a grandes resultados. Muitas vezes, essas “pequenas” atitudes, isoladamente consideradas, não parecem fazer sentido. Mas, quando consideradas em conjunto, num corte temporal maior, representam exatamente as razões que levaram ao sucesso numa determinada empreitada, seja ela qual for.

Vamos ver alguns exemplos que ilustram a ideia proposta:

É possível tomar 1000 litros de café?

A resposta mais uma vez é: depende. Se pensarmos nos 1000 litros de uma única vez, obviamente, a missão é impossível. Agora, se tomarmos uma xícara de apenas 50 ml de café 2x ao dia dos 20 aos 50 anos, consumiremos 1095 litros de café.

Quer ver outro exemplo? 1kg equivale a aproximadamente 8000 kcal. Imagine, então, 3 (três) pessoas que tenham um gasto calórico total de 2000 kcal por dia e que ingiram exatamente essas mesmas 2000 kcal que consomem ao longo do dia. Todas comem 1 maçã por dia de aproximadamente 100 kcal. A primeira, resolve retirar a maçã da alimentação diária e passa a consumir 1900 kcal. A segunda mantém a maçã e continua consumindo as 2000 kcal. A terceira resolve incluir mais uma maça e passa a ingerir 2100 kcal. Considerando que as três mantenham um gasto calórico de 2000 kcal e sem considerar outros fatores que possam influenciar na variação de peso, a primeira pessoa terá um déficit calórico de 36.500 kcal ao longo de um ano, o que resultará na perda de aproximadamente 4,5 kg. A segunda pessoa manterá o seu peso corporal e a terceira terá um ganho de aproximadamente 4,5 kg (já fica aqui a ressalva de que o exemplo é apenas ilustrativo, pois há diversas outras questões que influenciam a perda, manutenção ou ganho de peso, além do chamado “balanço energético”).

Esses exemplos demonstram como pequenos gestos repetidos (hábitos) influenciam sobremaneira no resultado global de qualquer atividade.

Mas e daí? O que isso tem a ver com concursos públicos?

Tudo! Vamos imaginar um exemplo similar. Três pessoas. A primeira estuda 1 hora por dia, dia sim, dia não. A segunda estuda 1 hora por dia todos os dias. A terceira estuda 2 horas por dia todos os dias. Ao longo de um ano, a primeira terá estudado 182,5 horas. A segunda, 365 horas. A terceira, 730 horas. Projetado esse tempo de estudo num período de 3 anos, o resultado será que a primeira pessoa terá estudado ao final do período 547 horas (aproximadamente 22 dias). A segunda, terá estudado 1095 horas (aproximadamente 45 dias) e a terceira 2190 horas (aproximadamente 91 dias).

A conclusão, portanto, é bastante simples: você não vai conseguir beber 1000 litros de café, comer 365 maçãs ou estudar 91 dias seguidos de uma única vez. Mas, incorporando pequenas ações diárias na sua vida, com continuidade, você fará a rotina e o tempo trabalharem a seu favor. Por isso, elabore uma rotina em que o estudo se torne um (bom) hábito e consequentemente uma virtude que, projetada no tempo te aproximará do seu objetivo.Por outro lado, procure corrigir e retirar da sua rotina os maus hábitos, os vícios, que te afastam dos seus sonhos e, muitas vezes, nada acrescentam a sua vida pessoal, familiar, afetiva ou profissional.

Bons estudos!

Você sabe como funciona e o que é o EQUAD da AGU? por Bruna Daronch

Olá, galera, conforme prometido vou relatar um pouco sobre meu trabalho na AGU. Algumas premissas importantes: 1) A minha atuação é bastante peculiar e não se confunde com a atuação de quase a integralidade dos meus colegas; 2) Não se pode confundir a atuação de um Advogado da União com a atuação dos colegas da Procuradoria Federal, ok? O próximo concurso da AGU será o de Procurador Federal, em que vc, futuro Procurador, irá defender autarquias e fundações públicas federais. Eu, por outro lado, atuo na defesa da União e seus respectivos órgãos.

Pois bem, vamos lá. Como vocês sabem, a AGU possui duas atribuições básicas: representa a União, judicial e extrajudicialmente e presta assessoria jurídica ao Poder Executivo. O Advogado da União pode ficar lotado em duas grandes áreas: contencioso (produzindo peças processuais) e consultivo (confeccionando pareceres).

Estou lotada na PSU Bagé/RS, atuando no contencioso. Nos primeiros meses de trabalho, fiquei vinculada a algumas Subseções Judiciárias e atuava em ações contra a União das mais diversas matérias (servidores públicos civis e militares, ações trabalhistas, ações de improbidade administrativa, questões ambientais, etc.), ficando restrita aos cuidados dos processos de primeiro grau de jurisdição.

Após dois meses nesse trabalho, fui deslocada para uma outra equipe denominada “EQUAD Militar”. Trata-se de uma Equipe Virtual de Alto Desempenho nas Ações Militares Cíveis contra a União (lembrando que essas ações são de competência da Justiça Federal – a Justiça Militar da União possui competência restrita à matéria penal). Essas ações se resumem a todo o regramento militar, englobando ações de reintegração, reforma, pensão militar e todos os demais direitos previstos no Estatuto dos Militares.
Assim, eu fiquei responsável por essas ações no Estado todo, não ficando vinculada a nenhuma Subseção Judiciária. Além disso, tenho responsabilidade por todos os processos de primeiro e segundo grau de jurisdição. Assim, faço, diariamente, da contestação até o agravo em Recurso Especial e Extraordinário, acompanhando todos os tipos de procedimento (JEF, Procedimento Comum, Execução e Tribunais).

Em contrapartida, os integrantes dessa equipe não necessitam, via de regra, fazer audiências, já que todas elas são realizadas por videoconferência na capital do Estado.

Isso só é possível porque o sistema de processos na Justiça Federal da 4ª Região é integralmente eletrônico (EPROC, #loveyou). Aqui na 4ª Região, há um projeto semelhante na matéria da Saúde.

O grande objetivo da equipe é tornar uma defesa mais coesa, com atuação uniforme e efetiva da União nessas ações que possuem elevado número no Estado do RS.

Algumas premissas desse trabalho: Você fica restrita a uma matéria específica e, após 01 ano de carreira, não precisa estar na cidade de sua lotação, podendo exercer o trabalho remoto.

Quais as consequências desse trabalho? Sua carga de trabalho é bastante elevada, se comparada com o colega que fica vinculado a uma PSU. Em semanas mais complicadas, recebo uma média de 10 a 15 processos por dia.

Mas, Bruna, pq você em diversos momentos disse que estava em estado de desespero? Bom, simplesmente pq você não vai encontrar Direito Militar no edital da AGU. De um dia para noite, eu fiquei responsável por uma elevada carga de processos de uma matéria estranha aos meus conhecimentos kkkkkkk. Mas, aos poucos, tá dando tudo certo e meu cronograma de processos está funcionando 🙏. Com a prática, você vai montando o seu banco de peças e vai percebendo que as ações, embora exijam uma análise fática minuciosa, repetem-se.Está em dúvida de qual carreira seguir? Por um acaso, uma das suas prioridades é voltar rápido para sua casa? A AGU pode ser uma boa opção, pois o trabalho virtual é uma realidade bem próxima (eu, por exemplo, estarei autorizada a realizar no ano que vem). Da mesma forma, vale destacar que vc pode se deslocar na carreira com facilidade, podendo ir do Sul ao Norte do país, trabalhando em diversas áreas e matérias, além de poder atuar tanto na via contenciosa em ações de suma importância para o país quanto na via consultiva na efetivação de políticas públicas.

Minha Preparação para a AGU: por Caio Fonseca.

PREPARAÇÃO

​​Atendendo com muito prazer ao convite da amiga Natália, escrevo um pouco sobre a minha trajetória em concursos, bem como sobre a minha atuação como Advogado da União na Procuradoria-Geral da União, fazendo-o com a expectativa não só de compartilhar um pouco da experiência adquirida, mas também de inspirar aqueles que se preparam para ingressar em uma das carreiras jurídicas, notadamente na advocacia pública.
​​Após me formar em direito, passei um ano advogando, até que, motivado principalmente pela vontade de ter uma remuneração melhor e mais estável, resolvi que iria estudar para concurso. Como sempre tive uma certa independência financeira, não estava disposto a deixar de trabalhar para ficar somente estudando. Essa é uma decisão que tem inegável importância na preparação de qualquer um. Não existe certo e errado no que diz respeito à opção entre “só” estudar ou trabalhar e estudar. No meu caso, sabia que o fato de ter menos tempo para estudar diariamente poderia retardar um pouco a aprovação, mas ponderei que o fato de continuar tendo uma renda poderia aliviar a pressão por um êxito imediato. Devo confessar que, no subconsciente, o fato de conciliar os concursos com o trabalho era uma forma de me cobrar menos, e isso, em certa medida, ajudou-me.
​​Como a minha atuação no escritório era bastante intensa, chegando a exigir, não raras as vezes, trabalhar no final de semana, aceitei o convite de um amigo para trabalhar na assessoria de um desembargador do Tribunal de Justiça do RN, o que me garantiria um pouco mais de tranquilidade para estudar. Não foi uma decisão fácil, sobretudo porque eu estava começando, embora de forma ainda tímida, a crescer na advocacia, de modo que largar o escritório para exercer um cargo comissionado, sujeito à livre exoneração, era um risco à própria estabilidade que eu tanto buscava. Contudo, ao longo do meu relato e de tantos outros colegas cujas trajetórias já foram compartilhadas por Natália aqui no site, vocês verão que o “concurseiro” é obrigado a tomar decisões o tempo todo, não havendo espaço para o comodismo na vida de quem quer passar em concursos de alto nível.
​​Pois bem. Já trabalhando como assessor no TJRN, com tempo não em excesso, mas suficiente para estudar, era hora de começar a meter a cara nos livros. Sim, era hora, mas o tal comodismo que mencionei há pouco me contaminou e eu demorei pelo menos um ano para criar vergonha na cara e escolher um concurso para estudar.
​​Abro aqui um parêntese para tentar justificar um pouco dessa inércia e, ao mesmo tempo, chamar atenção para um vício que acomete boa parte dos “concurseiros”: a espera pelo “edital perfeito”.
​​Quando resolvi estudar para concurso, mirava a Procuradoria-Geral do Rio Grande do Norte, e isso por várias razões, que passam pela possibilidade de conciliar com a advocacia privada, com o fato de remunerar muito bem e, ainda, de poder morar em casa. O concurso da PGE/RN foi uma lenda por vários anos, daquelas que todo dia alguém fala que o edital vai sair mês que vem. O último concurso havia sido em 2002/2003 e a defasagem no quadro era notória. Entretanto, as dificuldades financeiras e orçamentárias do estado protelavam o concurso mês a mês e, com isso, o meu start nos estudos também ia sendo postergado. Esse foi um dos grandes erros que eu cometi, sem sombra de dúvida.
​​Primeiramente, não se estuda para um concurso de alto nível somente após a publicação do edital. A não ser que você seja um gênio indomável do direito, é pouquíssimo provável que você obtenha êxito nesse tipo de certame começando a estudar somente após a marcação das datas das provas. Em segundo lugar, essa espera pelo “edital perfeito” pode fazer você perder inúmeras boas oportunidades ao longo da sua preparação.
​​Não estou a dizer que não se deve dedicar-se àquele concurso que se sonha ou que não se deve se guiar pela vocação, muito pelo contrário. O que realço é que, enquanto nos propomos a estudar para concurso, devemos preocuparmo-nos somente com aquilo que está ao nosso alcance. A nossa missão é estudar e estudar muito, para estarmos minimamente preparados para o “edital perfeito”, que muitas vezes pode demorar anos para sair, fazendo com que abracemos as oportunidades que venham a surgir ao longo do caminho. Quantos e quantos relatos não ouvimos de pessoas que esperavam determinado concurso, passaram em outro, e são plenamente realizadas nas suas carreiras? Ou mesmo de pessoas que, estando preparadas, passaram em concursos que não eram os dos seus sonhos, mas tiveram, a partir da aprovação, a tranquilidade para continuar estudando com muito menos pressão para a almejada carreira?
​​Parêntese fechado.
No início do ano de 2014, inscrevi-me no concurso para a Procuradoria do Estado do Piauí (PGE/PI), cuja prova objetiva aconteceria logo após o término da Copa do Mundo do Brasil. Confiando-me na sorte e na unção pelo Espírito Santo, estudei absolutamente nada para essa prova. Vivi intensamente o período pré/durante/pós Copa do Mundo, fui a vários jogos, assisti tantos outros pela televisão, bebi, comemorei, chorei após a vergonha que passamos contra a Alemanha, enfim, fiz tudo, menos estudar. A fatura veio na conferência do gabarito da prova da PGE/PI. Levei um 7×1 da prova e acertei menos de 50% das questões, mas aquela viagem à Teresina presenteou-me com uma das mais importantes lições que carreguei durante a minha trajetória. Essa lição é de uma singeleza magnífica: se você não estudar, você não passa. Por mais clichê que pareça a frase atribuída a Tiger Woods, ela representa a mais pura verdade: quanto mais você trabalhar, mais sorte você terá. Eu não conheço uma só pessoa que passou em concurso de alto nível contando exclusivamente com o fator sorte.
​​Voltei do Piauí com um medo terrível do futuro. Sim, essa foi a única vez em que pensei que passar nesses concursos seria tarefa impossível. Ao mesmo tempo, voltei com uma admiração incrível por aqueles que conseguiram acertar, por exemplo, 80% daquela prova “impossível”. Eu voltei disposto a fazer por onde ser uma dessas pessoas.
​​A prova da PGE/PI foi no final de julho e no dia 03/08/2014 eu comecei a efetivamente estudar, também bastante estimulado pelos boatos, cada vez mais fortes, de que o tão sonhado concurso da PGE/RN estava para finalmente sair.
​​De fato, no dia 01/09/2014 saiu o bendito “edital perfeito”. Perfeito por vários motivos, já que veiculava o concurso que eu realmente queria, era relativamente simples (poucas matérias para o padrão, com grande enfoque nas matérias que eu mais gostava) e tinha um tempo razoável até a prova objetiva (salvo engano, pouco mais de três meses). Porém, como nem tudo está ao nosso alcance e os desígnios divinos são incompreensíveis aos humanos, o “edital perfeito” veio na hora mais inoportuna possível: o meu sogro, pai da minha esposa (namorada de 8 anos à época), que havia descoberto uma doença gravíssima em abril, apresentava, dia após dia, uma piora no seu quadro de saúde que conduzia ao completo desolamento de toda a família, e eu, claro, não tinha como ficar imune a todo aquele problema.
​​Tentei, de todas as formas, compatibilizar o meu estudo com a dor e o sofrimento pelo qual estávamos passando, mas era tormentoso sentar para estudar a noite e abstrair o que estava acontecendo. Era impossível, na verdade. Quantas e quantas vezes eu passei horas com a mesma página de livro aberta, buscando concentração em meio ao meu próprio sofrimento e ao sofrimento da família da minha namorada; tantas outras, especialmente em dias nos quais as notícias eram péssimas, eu sentei para estudar e apenas chorei? E quanto eu também não me cobrei uma posição mais altruística, no sentido de que qualquer concurso, naquele momento, era sem importância? Eu sofria por achar que querer estudar era uma posição egoísta e individualista.
​​De toda forma, na medida do possível, tentei mergulhar nos livros, resumos, apostilas, informativos e questões. Tirei férias do trabalho nos 15 dias que antecederam a prova objetiva, saí dos grupos de WhatsApp, passei a otimizar meu tempo estudando em qualquer hora que tivesse livre, reduzi substancialmente os momentos de lazer, enfim, realmente mergulhei de cabeça no edital, mas sempre me cobrando uma presença maior ao lado da minha namorada e de sua família.
​​Fui à prova objetiva ainda muito verde, sem muita confiança, mas com esperança de que, tendo dado o meu melhor, pudesse pelo menos passar da primeira fase. Consegui. Passei para a segunda fase, mas numa posição muito atrás das vagas previstas no edital (salvo engano, passei em 150º lugar e o edital previa apenas 10 vagas), o que não deixou de ser uma gigante conquista para mim. De toda forma, havia uma inevitável sensação de que, se eu tivesse começado a estudar com mais antecedência, poderia ter passado melhor colocado.
​​A segunda fase estava prevista para o final de fevereiro. Tinha cerca de 2 meses para estudar o suficiente para subir de posição no concurso, mas a vida pregou outra peça e, no início de janeiro de 2015, Deus levou o meu sogro. O concurso, que já não era a coisa mais importante para mim, passou a não fazer mais sentido. Eu só me importava em me consolar e, sobretudo, consolar minha namorada, até que, sem poder fazer muito, resolvi que iria, mais uma vez, fazer o que estava ao meu alcance. Minha meta passou a ser a aprovação no concurso, como forma de trazer alguma felicidade.
​​Tirei uma boa nota na segunda fase, mas ainda permaneci fora das vagas (perto da 80ª colocação). O fato de ter subido de classificação, contudo, continuava a me animar e, principalmente, a me estimular.
​​Na terceira fase, caiu um parecer extremamente polêmico, com uma chave de resposta mais polêmica ainda, e minha nota, apesar de novamente boa, foi insuficiente para me colocar nas vagas. Após as notas da terceira fase, estava posicionado em 39º lugar, salvo engano.
​​Na fase de títulos, um revés daqueles difíceis de aceitar (a banca desconsiderou a minha pós-graduação em razão da data da expedição do certificado), e isso não só me impediu de subir algumas posições (era esperado que eu subisse para 28º lugar), como me jogou para a 57ª posição. Os títulos, no concurso da PGE/RN, tiveram um peso descomunal.
​​A despeito da má-classificação final, é certo que, um pouco frustrado e com a sensação de que daria para ter passado melhor, eu estava satisfeito com o meu desempenho e aquela sensação do impossível já não existia. Ao contrário, a essa altura, eu já sabia que a aprovação era questão de tempo.
​​Ao término do concurso da PGE/RN, já estava inscrito e avançando no concurso da Procuradoria do Estado do Paraná (PGE/PR), que aconteceu durante o ano de 2015. Terminei o concurso em 90º lugar, mas, ao contrário da PGE/RN, essa foi a primeira aprovação em que a esperança de nomeação era clara. O quadro da Procuradoria é imenso e, tradicionalmente, os concursos chamam bastante gente.
​​Logo depois, fui também aprovado em concursos menores de procuradorias municipais do meu estado e assessor jurídico do Tribunal de Contas do RN.
​​Paralelamente, em meados de 2015, tanto a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), quanto a Advocacia-Geral da União (AGU), lançaram seus editais, o primeiro prevendo 150 vagas imediatas e o segundo, 84 vagas.
​​Aqui, a estratégia foi fundamental na minha aprovação em ambos os concursos. Estratégia, aliás, que é determinante para qualquer aprovação.
​​Os editais da PGFN e da AGU, embora fossem bastante parecidos quanto às disciplinas cobradas, tinham suas particularidades, como, por exemplo, o alto peso atribuído pela Esaf a disciplinas como direito tributário, financeiro e empresarial, e o baixo peso atribuído à direito internacional. Na PGFN, não era cobrado ambiental, enquanto a AGU costuma cobrar essa matéria em quantidade e nível razoáveis, assim como previdenciário, que era mais negligenciado na PGFN.
​​Foquei, então, no edital da PGFN, cuja prova aconteceria primeiro, e contei com o lapso de 15 dias entre as provas objetivas dos dois concursos para pegar as matérias que teriam sido escanteadas e que tinham alto peso na AGU. Consegui passar em ambas as primeiras fases e continuei adotando a mesma estratégia para a segunda fase, desta feita, apenas invertendo a ordem, já que as provas da AGU aconteceriam antes.
​​Fui aprovado nos dois concursos, após as provas orais, terminando em 37º lugar na PGFN e em 8º lugar na AGU.
​​Um fato curioso e que merece ser compartilhado diz respeito às provas discursivas da AGU.
​​Como muitos sabem, as provas discursivas da AGU foram aplicadas duas vezes, tendo em vista a anulação da primeira aplicação em razão de um problema com a energia no local de prova de Recife.
​​Eu tinha ido muito bem na primeira prova, embora um polêmico parecer na P2 não pudesse nos deixar absolutamente tranquilos com a aprovação. Quando a prova foi anulada, eu fiquei transtornado, assim como tantos outros colegas. A indefinição quanto às novas datas também gerava uma insegurança absurda nos candidatos.
​​Fui fazer a “nova” segunda fase bastante contrariado, mas não havia outra opção. Na P2, perdi um tempo enorme elaborando o Parecer e, num erro primário de dosagem de tempo, fiquei com apenas 5 minutos para responder à questão de ambiental que, sem sombra de dúvida, era a questão mais fácil da segunda etapa, estando a resposta, ipsi literis, na LC 140/2011. Resultado: tumulto na sala com os candidatos indo embora, fiscal falando o tempo restante de minuto em minuto, e eu simplesmente não achava os artigos que estavam sendo exigidos na questão. Escrevi qualquer coisa apenas para não a zerar. Para a minha gratíssima surpresa, praticamente fechei o Parecer e, no fim das contas, o que pareceu ser um erro idiota de controle de tempo (e, em certa medida, foi), garantiu-me uma excelente nota, que alavancou bastante a minha nota final. Moral da história: erros bobos todo mundo comete, até os que passam. Conversem com qualquer pessoa aprovada e escutarão histórias parecidas, portanto, não se cobre tanto por eles, até porque, só não erra quem não tenta.
​​Bom, galera, essa foi, em resumo (bem mais extenso do que eu gostaria), a minha trajetória até tomar posse como Advogado da União em 22/01/2017, após passar cerca de 2 meses como Procurador da Fazenda Nacional na Seccional de São Bernardo do Campo.
​​Como toda história, durante esses pouco mais de 2 anos de estudo efetivo, foram muitas as dificuldades e privações, vários os eventos sociais abdicados, inúmeras horas de estudo (sempre conciliando com o trabalho), etc., mas estejam certos de que eu faria tudo de novo. Estudar não deve ser um fardo para quem busca um sonho, porque, enquanto seres-humanos, somos naturalmente movidos por desafios e concretizações. Permita-se chegar ao fim dessa jornada com a sensação de que é merecedor do cargo sonhado e, sobretudo, da confiança que o Estado deposita em você. Ah, e saibam de uma coisa: após passar no concurso, as dificuldades não deixam de existir, elas apenas modificam-se. A investidura no cargo público não garante uma vida sem problemas, a menos não para quem está disposto a participar da construção de um mundo melhor. ​

Atividade da AGU na Procuradoria-Seccional da União: por Rafael Arruda

Sou membro da AGU, Advogado da União, lotado na Procuradoria-Seccional da União em Uberaba/MG.
A AGU é o órgão de representação judicial e extrajudicial da União, bem como de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo (art. 131 da Constituição de 1988).
Desde que optei pela advocacia pública (procuradorias), tinha a Advocacia-Geral da União como meu maior objetivo: sempre me interessei pelo Direito Público e pela área federal. A AGU era, portanto, a chance de exercer um cargo em que trabalharia com todas as áreas e matérias que me chamavam atenção.
E é bem isso que encontrei na Procuradoria-Seccional onde fui lotado.
A carreira de Advogado da União possui inúmeras lotações nas mais variadas áreas. Além das lotações na própria estrutura interna da AGU, seja nos órgãos de consultivo, seja nos órgãos de contencioso, há Advogados da União nas consultorias jurídicas junto aos ministérios e outros órgãos do Poder Executivo Federal.
Minha opção pela lotação em Uberaba/MG, quando da escolha das vagas, se deu, primeiramente, porque unia minha escolha pelo contencioso (as lotações se dividem basicamente em contencioso e consultoria) com a chance de permanecer perto de casa.
Mas além disso, ao contrário de outras lotações, onde há divisão temática de atribuições, nas Seccionais, como em Uberaba, cada Advogado defende os interesses da União (também no polo ativo) em várias áreas afetas ao direito público federal: agentes públicos, ambiental, possessórias, indenizatórias, trabalhistas, benefícios sociais, anulatórias, execuções, saúde, ações civis públicas, ações de improbidade, etc.
Como se não bastasse, apesar de atuarmos primordialmente no contencioso, também fazemos alguns pareceres, por exemplo orientando os Ministérios no cumprimento de decisões judiciais proferidas naqueles feitos que oficiamos.
Ou seja: se tem algo que não existe trabalhando numa PSU, é monotonia! Acho realmente vantajoso porque, além de não ser algo repetitivo, nos proporciona a chance de termos contato e adquirirmos conhecimento em uma gama muito grande de assuntos.
Mas como em qualquer carreira e qualquer lotação, claro que também enfrentamos dificuldades.
É que a AGU, embora tenha sido prevista já no texto originário da CRFB/88 e instituída em 1993 com a LC 73, é um órgão que vive hoje uma fase de grande crescimento como instituição. Ou seja, como membros, estamos dia após dia fazendo parte desta evolução.
Assim, cabe a nós, Advogados da União, lutarmos não apenas pela defesa direta do ente público federal, mas também pelas prerrogativas conferidas ao cargo pelo ordenamento jurídico e por uma advocacia cada vez mais forte, independente e de Estado.
Além disso, nas Procuradorias-Seccionais da União, por estarmos no interior dos estados membros, muitas vezes temos de superar barreiras inexistentes para quem está lotado em Brasília, onde se localiza a sede da AGU. De toda forma, isso vem sendo, na medida do possível, gradativamente reduzido em virtude das novas tecnologias.
Independente da lotação, a carreira de Advogado da União é, portanto, uma carreira instigante, que possibilita a atuação dos seus membros em uma variedade enorme de áreas de atuação, sempre na realização do mister constitucional da AGU.

Métodos de Estudo: Ticiano Marcel

Olá, pessoal.
Inicialmente, devo alertá-los que a forma como estudei levou em consideração o fato de eu ficar entediado muito facilmente. Assim, sempre busquei alternar os métodos de estudos, para extrair o melhor rendimento possível.
Acredito que cada método apresenta pontos positivos e negativos. Além disso, as próprias características pessoais influenciam bastante na adaptação a um ou outro.
Primeiro, eu preferia responder questões antigas relacionadas à advocacia pública. Isso fazia com que eu conhecesse os principais temas e a forma como eram cobrados. Reservava um mês apenas para ler questões comentadas.
No mês seguinte, lia os principais temas (os que eram mais recorrentes, conforme as questões de provas anteriores) em doutrinas voltadas para concursos (ex.: controle de constitucionalidade do Pedro Lenza – em razão de ser tema com questões certas, optei por resumir o capítulo à mão).
Depois, focava na lei seca. Passava um mês inteiro apenas com as principais leis. Nesse período, fazia uma coisa que achava muito legal: riscava as algumas palavras dos artigos para, numa segunda leitura, tentar lembrar; quando não conseguia, ia em outro vade mecum ou no PC para ver qual era. Me ajudou muito na memorização.
Após algum tempo, passei a ler apenas resumos.
Num período de 16 meses fiz, entre primeiras e segundas fases, cerca de 12 provas. Era quase uma por mês, o que me obrigou a adaptar os estudos.
Entre uma prova e outra, passei a dar ênfase aos temas que tinha me saído mal na anterior, para preencher as lacunas.
Estudar é adquirir bagagem: se você vai bem em um tema/matéria e tem 40 dias entre uma prova e outra, foque nas outras disciplinas.
Não há, como já devem ter ouvido bastante, um método mágico e infalível. Dessa forma, sugiro que testem cada um e tirem as próprias conclusões. Eu fiz isso e percebi que, PARA MIM, é melhor estudar de forma alternada.
Por fim, não se esqueçam: resiliência é tudo!
Abraços
Ticiano Marcel – Advogado da União.